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Demência: Se olharmos para trás muito já se andou

Se olharmos para frente o caminho é longo

Muito já se andou:

Economist de abril de 2016 tem um artigo falando sobre a demência no japão. Naquele ano eram contabilizados 5 milhões de japoneses com demência. Este número em 2025, iria subir para 7 milhões. A maioria destes pacientes vivem em casa junto com os familiares. A carga de trabalho e emocional sobre os familiares era tão grande que 75% estavam esgotados, uma parte já considerou o suicídio e, o que é pior, no último ano a polícia registrou 44 casos de assassinato ou tentativa de.

O Japão tem sido pioneiro em muitas soluções para o envelhecimento, mostra o mesmo artigo de 2016:

-A idade de aposentadoria foi modificada

-cada vez se ve mais idosos nas mais diversas ocupações

-As montadoras e empresas de telefonia tem desenvolvido produtos mais específicos para os idosos.

Entre as boas notícias de demência temos a constatação que no Alzheimer o deposito das proteínas que prejudicam o funcionamento cerebral é iniciado décadas antes do quadro clínico aparecer, logo dar a medicação para atuar na deposição após a instalação do quadro clínico não tinha qualquer benefício. Testes com amostras de sangue já conseguem detectar quem irá ou já iniciou o depósito e deve receber medicação para impedir a instalação do quadro clínico.

artigo sobre demencia, filha cuidando de mãe

Muito caminho pela frente

A Lancet Commission Report on Demencia Prevention lançou em 2020 suas primeiras conclusões acerca dos fatores de risco para demência que eram modificáveis. Dentre os identificados, havia 12 que eram responsáveis por 40% dos casos de demência. Traduzindo:

“com a correta intervenção poderemos evitar 40% dos casos de demência”

Os fatores de risco foram divididos:

Presentes no início da vida: educação

Presentes no meio da vida :perda de audição; lesão cerebral traumática, hipertensão, abuso de álcool e obesidade.

Presentes no final da vida: Tabagismo; depressão, isolamento social, sedentarismo, diabetes e poluição ambiental.

Em 2024 o relatório foi atualizado e mais dois fatores de risco foram incluídos:

Perda de visão e LDL elevado. Se fizermos as intervenções corretas e mitigarmos os 14 fatores de risco, 45% dos casos de demência seriam evitados.

O Impacto de cada fator de risco pode ser avaliado da tabela abaixo:

Fator de risco

impacto

Menos educação

5%

Perda de audição

7%

LDL elevado

7%

depressão

3%

Trauma cerebral

3%

sedentarismo

2%

diabetes

2%

tabagismo

2%

Hipertensão

2%

obesidade

1%

Muita bebida alcoólica

1%

Isolamento social

5%

Poluição

35

Déficit visual

2%

 

Este relatório da lancet Comission é muito importante para gerar políticas públicas. O conhecimento mais inesperado foi relatado no lancet neurology em março de 2026:

Ser vacinado para herpes reduz a incidência de demência em 20%(nenhum dos outros fatores de risco chega próximo)

Este achado foi epidemiológico. Os estudos não buscavam relações de causa. Antes de ser usado para outros fins que não evitar o H Zooster, São preciso outros estudo clínicos

 


 

Demência no mundo moderno, avanços importantes e um longo caminho pela frente

Olhando para trás, o quanto já avançamos

A evolução no entendimento da demência nas últimas décadas é significativa.

Um artigo publicado pela The Economist, em abril de 2016, analisava o cenário no Japão, um dos países mais envelhecidos do mundo. Naquele momento, estimava se que cerca de 5 milhões de japoneses viviam com demência. A projeção para 2025 era de 7 milhões de casos.

A maioria desses pacientes permanece em casa, sob cuidado de familiares.

O impacto sobre essas famílias é profundo.

Cerca de 75 por cento dos cuidadores relatavam esgotamento físico e emocional. Parte deles chegou a considerar o suicídio. Em um dado ainda mais preocupante, a polícia japonesa registrou, em um único ano, 44 casos de homicídio ou tentativa, associados a esse contexto.

 

O Japão como laboratório do envelhecimento

O Japão tem sido pioneiro na busca por soluções para o envelhecimento populacional.

Entre as medidas adotadas:

• Revisão da idade de aposentadoria• Crescente participação de idosos no mercado de trabalho• Desenvolvimento de produtos específicos para essa faixa etária por indústrias como a automobilística e de telecomunicações

Essas iniciativas refletem uma adaptação estrutural da sociedade ao envelhecimento.

 

Avanços científicos no Alzheimer

Entre as boas notícias, destaca se a evolução no entendimento da doença de Alzheimer.

Hoje sabemos que o depósito de proteínas que prejudicam o funcionamento cerebral se inicia décadas antes do surgimento dos sintomas clínicos.

Isso ajuda a explicar por que tratamentos iniciados após o aparecimento da doença apresentam eficácia limitada.

Mais recentemente, exames de sangue passaram a identificar indivíduos que já iniciaram esse processo de deposição.

Essa possibilidade abre espaço para intervenções mais precoces, com potencial de impedir ou retardar o desenvolvimento da doença.

 

Olhando para frente, o desafio continua

Apesar dos avanços, o caminho ainda é longo.

Em 2020, a Lancet Commission on Dementia Prevention publicou um relatório identificando fatores de risco modificáveis para demência.

Naquele momento, foram identificados 12 fatores responsáveis por aproximadamente 40 por cento dos casos.

Em outras palavras:

Com intervenções adequadas, seria possível evitar até 40 por cento dos casos de demência.

 

Fatores de risco ao longo da vida

Os fatores foram organizados conforme o momento da vida em que atuam.

Início da vida

• Baixo nível educacional

Meia idade

• Perda auditiva• Trauma craniano• Hipertensão• Consumo excessivo de álcool• Obesidade

Final da vida

• Tabagismo• Depressão• Isolamento social• Sedentarismo• Diabetes• Poluição ambiental

 

Atualização mais recente, novos fatores incluídos

Em 2024, o relatório foi atualizado com a inclusão de dois novos fatores:

• Déficit visual• LDL elevado

Com isso, o potencial de prevenção passou para aproximadamente 45 por cento dos casos.

 

Impacto dos fatores de risco

A contribuição de cada fator para o risco de demência varia.

Entre os principais:

• Perda auditiva, 7 por cento• LDL elevado, 7 por cento• Baixo nível educacional, 5 por cento• Isolamento social, 5 por cento• Depressão, 3 por cento• Trauma craniano, 3 por cento• Sedentarismo, 2 por cento• Diabetes, 2 por cento• Tabagismo, 2 por cento• Hipertensão, 2 por cento• Déficit visual, 2 por cento• Obesidade, 1 por cento• Consumo excessivo de álcool, 1 por cento

 

Um achado inesperado

Um dado recente chamou atenção.

Um estudo publicado no Lancet Neurology, em março de 2026, demonstrou que a vacinação contra herpes zoster pode reduzir a incidência de demência em cerca de 20 por cento.

No entanto, trata se de um achado epidemiológico.

Ainda não há comprovação de causalidade, e novos estudos clínicos são necessários antes de qualquer recomendação prática além da prevenção do herpes zoster.

 

Conclusão

A demência representa um dos maiores desafios de saúde pública do século.

Avançamos no entendimento da doença, na identificação de fatores de risco e nas possibilidades de prevenção.

Ainda assim, o impacto social, familiar e econômico permanece elevado.

Se olharmos para trás, o progresso é evidente.

Se olharmos para frente, o caminho ainda exige ciência, organização e responsabilidade coletiva.

Dr. RodolfoMédico, especialista em gestão em saúdeAutor de Gestão em Saúde no Brasil, Teoria e Prática

 

Perguntas Frequentes sobre Demência

O que é demência

Demência é uma síndrome caracterizada pela perda progressiva de funções cognitivas, como memória, linguagem e capacidade de tomada de decisão, impactando a autonomia do indivíduo.

É possível prevenir demência

Em parte, sim. Estudos indicam que até 45 por cento dos casos podem ser evitados com controle de fatores de risco ao longo da vida.

Quais são os principais fatores de risco para demência

Entre os principais estão perda auditiva, baixo nível educacional, isolamento social, depressão, hipertensão, diabetes, sedentarismo e poluição.

O Alzheimer pode ser detectado antes dos sintomas

Sim. Avanços recentes indicam que exames podem identificar alterações biológicas décadas antes do aparecimento clínico da doença.

A vacinação pode reduzir o risco de demência

Estudos recentes sugerem que a vacinação contra herpes zoster pode reduzir o risco de demência, mas ainda são necessários mais estudos para confirmar essa relação.

Dr Rodolfo Albuquerque - Especialista em gestão de saúde. Visite nosso site

 
 
 

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