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Cirurgia Bariátrica ou GLP 1, qual o melhor tratamento para obesidade mórbida?

A dúvida que chega ao consultório

Um paciente pergunta:

“O que devo fazer para tratar minha obesidade mórbida? Devo usar medicamentos como Mounjaro ou optar pela cirurgia?”

Essa é uma dúvida cada vez mais frequente.

O avanço das medicações da classe GLP 1 trouxe uma alternativa relevante ao tratamento cirúrgico. No entanto, a decisão exige análise baseada em evidência.

 

O que sabemos sobre GLP 1

As medicações da classe GLP 1 apresentam benefícios importantes.

Entre eles:

• Redução de peso significativa• Melhora do controle glicêmico• Redução de eventos cardiovasculares, principalmente em pacientes com doença cardiovascular estabelecida

Essas drogas representam um avanço importante no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2.

 

O que sabemos sobre a cirurgia bariátrica

A cirurgia bariátrica já possui longa trajetória na medicina e evidências robustas.

Entre os principais benefícios:

• Perda de peso sustentada• Melhora ou remissão do diabetes tipo 2• Redução de eventos cardiovasculares• Impacto positivo em diversas comorbidades

Durante muitos anos, a cirurgia foi considerada a principal intervenção para obesidade mórbida.

 

Homem que perdeu peso corporal em grande quantidade

A pergunta que faltava responder

Até recentemente, não havia estudos comparando diretamente:

• Cirurgia bariátrica• Tratamento com GLP 1

especialmente em relação a:

• Retinopatia• Doença renal• Mortalidade

Essa lacuna foi parcialmente preenchida em outubro de 2024.

 

O estudo publicado na Nature Medicine

Em 25 de outubro de 2024, a revista Nature Medicine publicou um estudo comparativo relevante.

Características do estudo:

• Pacientes com obesidade e diabetes tipo 2• Grupo cirurgia com 1.657 pacientes• Grupo GLP 1 com 2.275 pacientes• Tempo médio de seguimento de 5,9 anos

Os desfechos avaliados foram:

• Eventos cardiovasculares maiores• Retinopatia• Nefropatia• Mortalidade

 

Resultados do estudo

Após análise, os resultados favoreceram a cirurgia.

Eventos cardiovasculares maiores, incidência acumulada em 10 anos:

• Cirurgia, 23 por cento• GLP 1, 34 por cento

Retinopatia:

• Cirurgia, 5,5 por cento• GLP 1, 15,9 por cento

Nefropatia:

• Cirurgia, 21 por cento• GLP 1, 37 por cento

Mortalidade por todas as causas:

• Cirurgia, 9 por cento• GLP 1, 12,4 por cento

 

Como interpretar esses dados

Os resultados mostram que, nesse grupo de pacientes, a cirurgia apresentou melhores desfechos clínicos em comparação ao uso de GLP 1.

Isso não invalida o papel das medicações.

Mas reforça que, em pacientes elegíveis, a cirurgia ainda pode oferecer benefício superior em longo prazo.

 

Qual a melhor decisão para o paciente

A decisão não é simples e deve considerar:

• Perfil clínico do paciente• Presença de comorbidades• Risco cirúrgico• Adesão ao tratamento• Preferência do paciente

No entanto, à luz da evidência atual:

Na ausência de contraindicações e com concordância do paciente, o tratamento cirúrgico tende a oferecer melhores resultados.

 

Conclusão

O tratamento da obesidade mórbida evoluiu de forma significativa.

Hoje contamos com opções medicamentosas eficazes e com intervenções cirúrgicas consolidadas.

A escolha ideal deve ser individualizada, mas baseada em evidência.

A medicina não é feita apenas de possibilidades, mas de resultados.

 

Perguntas Frequentes sobre Cirurgia Bariátrica e GLP 1

GLP 1 pode substituir a cirurgia bariátrica

Em alguns casos pode ser uma alternativa, mas estudos mostram que a cirurgia ainda apresenta melhores resultados em desfechos clínicos de longo prazo.

A cirurgia bariátrica é mais eficaz que GLP 1

Em estudos comparativos recentes, a cirurgia apresentou melhores resultados em eventos cardiovasculares, doença renal, retinopatia e mortalidade.

GLP 1 ainda é importante no tratamento da obesidade

Sim. É uma opção relevante, especialmente para pacientes que não podem ou não desejam realizar cirurgia.

Quem deve considerar cirurgia bariátrica

Pacientes com obesidade mórbida ou obesidade associada a comorbidades, após avaliação médica.

Qual o fator mais importante na decisão

A escolha deve ser individualizada, considerando risco, benefício e perfil do paciente.


Dr. Rodolfo Albuquerque - Especialista em gestão em saúde

 
 
 

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